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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

As férias por aqui...


Olá amigos:

Já há algum tempo que a Lura não conta novidades, não é que elas não existam, que não haja nada para contar, simplesmente nem sempre estamos particularmente inspirados.

Caso não tenham ainda reparado somos seres humanos, e quem nos lê também, certo?

Isso faz com que nem sempre seja fácil apresentar a “cara lavada e o sorriso nº 33” às vezes, mesmo quando somos felizes, a vida resolve pregar umas partidas e tornar o sorriso mais difícil, e confesso, nessas fases não apetece escrever...

Mas nem por isso parámos, e, mais uma vez, isso serviu para constatar o quanto nos faz bem fazer o que gostamos. Estas férias escolares tivemos visitas muito especiais, visitas que alimentam o coração, a alma e nos enchem de energia para fazer mais e melhor...

Com o Tito e o Garoto como terapeutas estas foram umas férias inclusivas na Lura, recebemos a Associação de Proteção às Raparigas, que veio passar uma manhã diferente, receber e dar colo com os nossos animais, aprender mais sobre agricultura biológica, descobrir um pouco da arte de bem cozinhar e comer em comunidade, conhecer as bases da dieta mediterrânica e partilhar bons momentos em natureza.

Esta foi uma visita surpreendente, para ambas as partes.

Para nós, foi bom conhecer um pouco melhor esta associação e o seu trabalho. Receber estas raparigas, compreender um pouco das suas dinâmicas de grupo, olhar no olhar de cada uma e compreender a complexidade de cada mundo, de cada ser humano, de cada sorriso (escondido ou rasgado). Foi uma experiência incrível e que nos mostrou mais uma vez a maravilhosa capacidade de empatia e dádiva do Tito e do Garoto. Mais que qualquer um de nós (acompanhantes humanos) os nossos burros reconhecerem em cada uma destas raparigas as suas realidades emocionais tendo, com cada uma, uma interação particular e diferente, mostrando-nos quem precisa de apoio, carinho, espaço, etc.

Além de uma visita pedagógica esta foi uma visita terapêutica que gostaríamos muito de voltar a repetir. Querem “raparigas”?

Mas não terminou por aqui, entre o Natal e o Ano Novo, recebemos também um grupo da APATRIS21, e se a visita anterior tinha sido terapêutica, esta foi um lavar da alma!
Eram 5 participantes, todos com características distintas e diferentes graus de autonomia, o que tornou a visita muito personalizada. Tirando o maior partido possível do contacto com a natureza e os animais, tivemos todo o tipo de momentos: prazer, descoberta, medo, birra, curiosidade, descontração, alegria...

Em apenas 3 horas de visita fizemos tanta coisa: demos comida aos coelhos e galinhas, pegámos num coelho ao colo ou apenas sentimos o seu pelo, visitámos a horta e apanhámos alguns hortícolas para oferecer aos Burros, observámos os Burros para descobrir o que mais gostam de comer, interagimos com os burros individualmente e em grupo, brincámos com o Fiel e com o Zico, até descascámos e provámos tangerinas acabadas de colher!

Foi uma manhã muito bem passada para todos os intervenientes! Certamente, também uma experiência a repetir...

Para que possam ter uma ideia, partilhamos algumas fotografias destas duas visitas no nosso facebook.

Na Lura estas foram umas férias calmas e inspiradoras, fizemos o que mais gostamos, partilhámos o nosso amor a carinho pela natureza, o respeito que temos por todos os seres e assim começamos o ano cheios de boas energias, novas ideias, novos projetos e muita vontade de fazer mais e melhor...

Um Bom Ano para todos!

Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.
Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Uma mensagem de Natal, do coração...



Este Natal escrevo com toda a minha honestidade.

Eu até gosto do Natal, gosto dos doces, da família reunida, da árvore de natal, de abrir as prendas, mas confesso, não gosto muito do que fizemos ao natal. Digo fizemos um pouco zangada, porque me estou a referir a uma sociedade, na qual me incluo mas em que cada vez menos me revejo, a sociedade do consumo.
Com a desculpa do fazer o bem, da partilha e da solidariedade, nesta época cada vez mais nos sentimos a obrigados a dar, brinquedos, lembranças, prendas de todo o género o mais materiais possíveis e é aqui que eu me revolto. Sou contra!

Partilha sim! Mas não material.

Vamos lá ser fieis a nós próprios. Os tempos não estão fáceis para ninguém, e se o objetivo desta quadra natalícia é o bem estar comum, porque havemos de estar tão preocupados com presentes para cada elemento da família (mesmo para quem sistematicamente não aprecia os presentes que recebe) em vez de garantirmos que estamos bem connosco e com quem mais gostamos.

Porque não aproveitar estas férias, não para ir às compras, mas para jogar jogos diferentes?

Por aqui, já tive anos em que fiz presentes eu própria para todas as crianças da família, já ofereci pequenas sugestões simbólicas aos adultos e apenas prendas às crianças e este ano também optei por oferecer apenas uma sugestão sustentável a cada familiar, porque acredito que vale mais uma sugestão ou um ideia que se “planta” de um ano para o outro, do que um brinquedo ou coisa parecida que cairá no esquecimento em breve.

Assim, este natal deixamos algumas dicas:

Se vai mesmo comprar presentes – compre local, escolha produções locais e nacionais, opte por coisas duradouras que enriquecem quem as recebe, cultural ou educativamente;

Ofereça tempo e disponibilidade – nos tempos que correm não temos muito, exatamente por isso, temos de fazer um esforço adicional de organização pessoal, ligue aquele amigo que não vê há muito tempo, mate saudades de quem está longe, vá visitar quem está perto;

Aproveite ao máximo os que estão por perto – curta o natal com quem está, é bom lembrar quem falta, mas nostalgia em excesso também se torna indigesto e como já dizia Fernando Pessoa “a tristeza é uma forma de egoísmo”;


E pronto, afinal são só três pequenas sugestões, que escrevo a quem quiser ler e como lembrete para mim também.

Um Bom Natal para todos!

Boas Férias!


Atenção: assumir honestamente perante toda a família e amigos que não se oferecem prendas ou que se opta pela diferença, pode ter consequências duradouras (pode levar a sermos rotulados de “maluquinho da família” ou coisa parecida), deve estar consciente da sua opção antes de começar, depois ganha-lhe o gosto e um dia descobre que é feliz assim.