quinta-feira, 18 de março de 2021

Férias em Natureza - Páscoa 2021

Campo de férias na Lura – de 29 de Março a 1 de Abril!



Horário: das 8h até às 19h (receção entre as 8h e as 9h, atividades a decorrer entre as 9h30 e as 17h30, fecho às 19h).


Idades: dos 3 aos 10 anos


Número de Participantes: mínimo 6, máximo 12.


Preço: 75toda a semana.



Inclui almoços e dois lanches por dia, refeições equilibradas, saudáveis, saudáveis e saborosas resultantes da parceria com a Nutriviva, que nos garante a confeção diária por nutricionistas, privilegiando a produção local e biológica, entregue em embalagens individuais e ecológicas.



Inscrição on-line através de formulário, aqui.  


O que vamos fazer:

Atividades temáticas diárias dinâmicas e criativas

Atividade construtiva em grupo – vamos deixar a nossa marca na Lura

Interação e contacto com os animais

Jogos tradicionais e dinâmicas de grupo

Caça aos ovos da Páscoa


O que vamos promover e desenvolver:

Autonomia;

Sensibilização ambiental;

Dieta mediterrânica e estilo de vida saudável;

Valores e princípios como o respeito, a empatia, ecologia, sustentabilidade;

Competências sociais, emocionais e motoras.


O que é necessário trazer:

- roupa e calçado confortável;

- garrafa de água;

- alegria, boa disposição e motivação!


Estamos à vossa espera!

Até breve! 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Positivamente Feliz em Natureza!

Já muitos nos ouviram falar do que fazemos e defendemos, em questões de educação, aqui na Lura. Quem nos conhece, terá a sua ideia clara dos valores que preconizamos e da forma como os trabalhamos com as crianças.

Todos os que visitam, ou conhecem a Lura de alguma outra forma, já sentiram a forma dedicada, o amor e o orgulho com que fazemos o nosso trabalho.

Mesmo assim, achamos que é importante falar, explicar e explicitar o que nos move!

E foi com base nisso que a Lura aceitou o desafio da Contextos -Cooperativa para o Desenvolvimento e Coesão Social e participou numa noite PechaKucha em Faro, a 2 de Fevereiro de 2020.

Para quem não conhece o conceito, uma apresentação «PechaKucha» (20x20) contém 20 slides, cada slide é mostrado por 20 segundos e avança automaticamente. A apresentação, por participante, terá a duração de 6 minutos e 40 segundos. São eventos onde decorrem várias apresentações com temas diferentes, todas em inglês, com o objetivo de promover a partilha de ideias, histórias e projetos de uma forma clara, concisa e descontraída.

Assim, com os nervos à flor da pele, agarrando o desafio de uma apresentação em público, em inglês e com os minutos contados, a Sara Vítor partilhou com quem a quis ouvir, como é feliz e como podemos crescer felizes, positivamente e em Natureza.

Diz quem assistiu (o evento era gratuito mas restrito à lotação da sala) que esteve bem, que se passou uma mensagem importante e que todo o evento foi bonito de se ver! Diria até que todos os presentes tornaram este evento numa noite que fica na memória e nos deixou a pensar…

E desde essa apresentação, desde esse momento, achamos que não faria sentido todo o trabalho de preparação e a mensagem transmitida ficar apenas naquele momento, para aquele grupo de pessoas e não ser gravada na nossa linda Língua Portuguesa.

Assim, e porque nunca é tarde para partilhar boas ideias, aqui vos deixo, a mesma mensagem, a mesma sequência de imagens, nos mesmos 6 minutos e 40 segundos, com a mesma voz e apenas uma diferença: aqui fala-se em português!

 Espero que gostem!

 


 Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.

Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Atelier da Natureza – os tempos livres, ao ar livre na Lura!

É com muito gosto que vos apresentamos a nossa mais recente proposta:

Depois do sucesso das Férias em Natureza e considerando as características do ano letivo que está quase a iniciar, estamos a preparar tudo para receber as crianças do 5º ao 9º ano de escolaridade, num novo conceito de tempos livres

 - O Atelier da Natureza! -

O Atelier da Natureza é possibilidade de crescer de forma plena e consciente em contacto com a Natureza e os animais. É trabalhar o bem-estar e a responsabilidade (individual e coletiva), procurando o desenvolvimento integral enquanto ser humano e social, sabendo que o sucesso académico resultará do sucesso de cada um.


- Como?

  • Com atividades ao ar livre

  • Apoio ao estudo e à organização pessoal das tarefas

  • Participação nas atividades da quinta e realização de atividades em conjunto (atividades de construção e melhoria dos espaços, em que cada criança poderá “deixar a sua marca” e contribuir para um trabalho coletivo)

- Quais os valores e princípios base?

  • Educação Positiva

  • Educação Emocional

  • Inclusão e valorização da Diferença

  • Ecologia e Sustentabilidade

  • Cidadania e Liberdade

  • Autonomia e Responsabilidade, individual e coletiva

- Para quem?

  • Para todas as crianças que frequentem o 2º e 3º ciclos de escolaridade.

Vamos iniciar com a criação de grupos com um máximo de 16 participantes.

Neste ano de lançamento, as vagas serão reduzidas e não haverá sobreposição horária entre grupos.

- Quando?

De segunda a sexta-feira, entre as 14 e as 19h ou de segunda a quinta-feira entre as 8 e as 13h.

A nossa organização dependerá dos horários de cada participante, pelo que a proposta que apresentamos poderá ser ajustada.

- Quais os preços?

  • 5 tardes por semana – 100€ por mês

  • 4 tardes ou manhãs por semana – 90€ por mês

  • 3 tardes ou manhãs por semana – 80€ por mês 

  • 2 tardes ou manhãs por semana – 60€ por mês

  • 1 tarde ou manhã por semana 30€ por mês

Condições especiais para crianças que se façam acompanhar de técnicos especializados e/ou com acompanhamento por instituições especializadas, mediante a criação de acordos de parceria. Já existe parceria definida com a Associação APATRIS21.

- Como será assegurado o transporte das crianças para a Lura e de regresso no final do dia?

Temos carrinha e possibilidade de incluir o transporte das crianças com apenas um pequeno ajuste na mensalidade. Fale connosco e articulamos a melhor opção para a família :-)

- Qual a composição da equipa que irá trabalhar neste atelier?

Sara Vítor – Professora de Física e Química, criadora e coordenadora da Lura, apaixonada pelos animais e pela Natureza, com formação e prática em Asinoterapia (terapia com Burros), com pós graduação em Ensino Especial; sempre com vontade de fazer mais e melhor, com muita convicção de que um mundo melhor é possível e depende de todos nós!

Adriana Nobre – Técnica de Ação Educativa com a mesma paixão pelos animais e pela Natureza, com formação em atividades assistidas com Burros, vasta experiência no trabalho com crianças de todas as idades, muito amor para partilhar; esforço, dedicação e responsabilidade são o que a torna tão profissional e competente.

Gonçalo Vítor – Mestre em Química Tecnológica e dos Materiais, cientista, agrónomo e autodidata. É o responsável pela manutenção das infraestruturas da Lura, explicador de Química, Física e Matemática. Não estará diretamente envolvido neste atelier, mas acreditamos que a sua presença frequente na Lura, o seu conhecimento e a sua disponibilidade para ajudar e partilhar sabedoria serão mais-valias que não iremos desperdiçar.

- Quando começa?

Já começou!

- Como posso inscrever o meu educando?

Entre em contacto connosco e juntos veremos qual a solução e horário mais adequado, para começar já!

Os nossos contactos: 

93 161 79 94 ou aprendernaturalmente@gmail.com


Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.

Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

As Férias em Natureza foram um sucesso!

E, confessamos, deram-nos tanto gozo, desde a preparação, até ao último dia com cada grupo, passando pelas rotinas, pelas atividades diárias e semanais, pelas dinâmicas e bonitas amizades que surgiram dentro de cada grupo, que queremos “aproveitar a embalagem” e adaptar este conceito para a dinamização de atividades de apoio ao estudo e de tempos livres, ao ar livre.

 

Assim surge o Atelier em Natureza!

 

Mas deixemos o Atelier para uma próxima publicação, que faremos em breve, quero ainda partilhar um pouco mais convosco, o que foram as férias em Natureza:

 

Com atividades e grupos organizados semanalmente, tivemos crianças que participaram em apenas uma semana e muitas crianças que quiserem repetir, e assim passaram connosco várias semanas seguidas.

 

Cada grupo foi um grupo diferente, as atividades foram sendo adaptadas à dinâmica específica de cada um e de cada grupo, se houve grupos em que parar para relaxar era difícil e se tornou numa aprendizagem que só na sexta-feira atingia quase a perfeição, outros houve em que eram os próprios a pedir estes momentos. E isto só foi possível porque estávamos atentos às características de cada um...


Aqui se aprendeu que é muito bom dar colo ao coelho fofinho e comida às galinhas, mas também que cuidar exige responsabilidade, que se soltamos um para que possa brincar livremente, temos de saber qual foi e lembrar de voltar a trazer para casa na hora certa, para a sua segurança, que os animais da quinta são fofinhos e têm uma alimentação variada, mas também precisam de limpeza e que podemos trabalhar em conjunto, para que a tarefa da limpeza seja mais rápida e eficiente …

 

Com os amigos Tito e Garoto, os nossos lindos Burros, aprendemos empatia, desenvolvemos respeito e aprendemos a cumprir as regras de segurança. Nas atividades com estes grandes animais

descobrimos que criar laços e partilhar momentos é muito bom, mas se aprendemos a respeitar o nosso espaço e o espaço do outro, tudo é mais fácil, saudável e feliz. 

 

Mesmo com distanciamento, com criatividade e com coordenação, houve diversão, jogos imaginativos, reaproveitámos materiais, usámos o que a Natureza nos dá, criámos momentos de convívio bem divertidos e construímos objetos, como por exemplo espanta-medos e garrafas da calma, que farão parte do nosso bem-estar daqui em diante.

 

Com histórias inspiradoras, transformámos momentos de pausa em reflexão e discussão, explicámos a nossa visão dos acontecimentos, reconhecemos e aceitámos as nossas emoções e sentimentos, em rodas de conversa harmoniosas e animadas.

 


Foi tudo tão bom, que resolvemos partilhar com todos os visitantes da Lura.

 

Ao longo de cada semana, as nossas atividades permitiram melhorar espaços, enriquecer o que já existia, passar uma mensagem e, por isso, com muito amor e carinho, demos corpo, cor e “picos” ao ouriço dos abraços, porque agora não nos podemos abraçar, mas até um ouriço gosta de um abraço, de vez em quando!

 

E foram campos de férias, lindos, felizes e inspiradores…

 

Crianças do 2º e 3º ciclo, atenção que vem aí o Atelier em Natureza,

Até já!

 

Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.

Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

 

sábado, 2 de maio de 2020

Voltamos as abrir as portas da nossa Lura para si...

Olá a todos!

Temos uma mensagem para a sua família:



Somos um espaço, ao ar-livre, de aprendizagem e crescimento para todos.

Durante o tempo de maior confinamento das famílias em casa, mantivemos a actividade, cuidando da nossa horta e dos nossos animais, fazendo melhorias nas estruturas e espaços...

Agora, estamos muito felizes por anunciar que podemos voltar a receber-vos!

Começando por pequenos passos, a 4 de Maio, abrimos as portas para as visitas família.

Faremos visitas, apenas com marcação prévia - que pode ser feita por telefone (931617994) ou por email (aprendernaturalmente@gmail.com) - com a duração máxima de uma hora e meia, garantindo o tempo entre visitas necessário para a limpeza de espaços e as condições de bem-estar dos nossos animais. Teremos à disposição pontos de água e sabão para a lavagem das mãos, e teremos em atenção todas as recomendações da D.G.S. relativas ao distanciamento social e prevenção de contágio.

Nestas visitas vamos partilhar a nossa alegria de viver no campo, promover a interacção com os animais, o contacto e respeito pela natureza, haverá tempo e espaço para pequenos e graúdos desfrutarem de diversas sensações e estímulos.

Vamos brincar juntos?

Até breve!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Reencontrando o nosso equilíbrio

Olá a todos,

Obrigado por lerem as minhas palavras.

Hoje quero falar-vos de: miúdos com escola em casa, trabalhos de manutenção de uma quinta, trabalhos de manutenção da casa, estudos dos adultos (cá em casa também temos disso), projetos, criatividade (ora vem, ora vai), inércia (essa grande amiga), rotinas, horários, tarefas (cumpridas, por cumprir e que aumentam todos os dias), refeições, exercício físico, aulas de ballet, pintura, leitura…

Perdoem-me todos os que neste momento mantêm um trabalho fora de casa e que lidam com todos os constrangimentos deste nosso momento global, a quem muito agradeço, mas confesso que por vezes invejo…

Pois é, a inconstância da vida de repente resolveu mostrar-nos que não controlamos tudo e que é preciso mudar, a nossa realidade mudou de repente e “sem aviso, nem pré-aviso da coisa” (Eu oiço esta frase na minha cabeça, na voz da Maria João com o Mario Laginha, música "Sete Facadas").

Por cá, na nossa Lura, passámos por várias fases, pelo deslumbramento de achar que era espetacular ter os miúdos em casa a tempo inteiro, que sem as habituais atividades profissionais, íamos ter tempo para brincar muito mais (pensámos isso, nós e eles), que a casa ia ficar muito mais arrumada, que ia haver tempo para a roupa, para refeições super especiais, para brutais serviços de limpeza e manutenção da quinta com toda a família a trabalhar colaborativamente e super feliz, etc.

Que fase bonita...

E foi-se!

Era apenas uma fase, rapidamente percebemos que 4, todo o dia em casa, desarrumam e sujam, mais que dois, que os dias continuam a ter o mesmo número de horas e continuamos a precisar de dormir, que temos mais tempo uns com os outros, mas isso também significa muito menos tempo sozinhos, cada um com os seus botões e o seu próprio ritmo.

A seguir veio a frustração, afinal o tempo não dá para tudo, afinal não estamos todos bué felizes a fazer coisas lindas juntos e há uns dias em que umas vozes se elevam em tons que, desconfiamos até os vizinhos do outro quarteirão ouvem… E os putos estão nervosos, ansiosos, carentes, etc.

Mais uma fase que passou,

Definem-se rotinas, novas regras, distribuem-se tarefas por todos para não sobrecarregar sempre os mesmos e começa-se a perceber que temos que funcionar assim durante mais tempo, que talvez não seja tão passageiro assim.

Vêm as perguntas, as explicações possíveis para as diferentes idades, a compreensão e respeito pelo tempo e espaço de cada um (quando é possível), mais perguntas, menos explicações…

E houve também (ou talvez ainda haja) os dias do “estou quase a explodir!!!! não estou a fazer nada, não estou produtiva, está tudo a fazer bué cenas on-line, montes de coisas a acontecer nos Facebooks e Instagrams do mundo, e a minha capacidade de trabalho e criativa pufftt!!!!!”

Aqui entra a parte boa de não estarmos sozinhos, todos passam por este momento, alguns de forma mais persistente e duradoura, outros de forma regular, outros só mesmo às vezes, mas há sempre um que percebe, que se chega à frente e explica: “olha que não é bem assim, ontem fizeste isto, já fizeste aquilo hoje, amanhã já tens programado aqueloutro” e a coisa vai passando…

Por isso damos tanta importância às conversas e à partilha, distanciamento não pode ser isolamento, para bem da sanidade mental de todos!

E agora, passadas várias fases, começa a escola em casa!

A sério?!?! Agora que isto estava a equilibrar, (já tínhamos horários e rotinas definidas) toma lá mais novas responsabilidades para todos, toma lá mais competências parentais que nem sabias que devias ter, toma mais mais mil e uma possibilidades para te sentires culpado ou culpada por não conseguires que as tuas 24h do dia rendam as atividades de 48h.

Pronto, voltámos à fase da frustração, do “não sou capaz”, do “mas é suposto fazer tudo isto num dia só?”, do “como não sabes o que é um e-mail?” (sim que cá por casa partiu-se do princípio que os miúdos nascem a saber mexer no e-mail, gerir ficheiros, saber o que são aulas síncronas e plataformas de Internet), do “e ainda é suposto acreditar que vai ficar tudo bem?”

Pois é, preciso explicar melhor esta última fase: “e ainda é suposto acreditar que vai ficar tudo bem?”, é que juntamente com a escola em casa, também vem a perceção clara que o 3º período não vai trazer a retoma das atividades remuneradas da quinta, vamos continuar sem trabalho remunerado, afinal isto vai durar…

E vem novamente a p… da criatividade que não quer dar as caras e a inércia que vira grande amiga de mãos dadas com a culpa, porque nem estou a produzir nem estou a conseguir fazer tudo o que os miúdos precisam e a casa está o caos!!!!

Pronto, sair daqui não é fácil, mas tudo se faz.

Agora estamos numa fase que acho que está a correr melhor, estamos a aceitar…

Aceitar que perdemos o controle,
Aceitar que não temos de fazer tudo,
Aceitar que há dias bons e dias maus,
Aceitar que não sabemos como será daqui a uma semana.
Aceitar que não temos tudo, mas podemos fazer muito com o que temos.

E então, aceitando que atualmente este é o nosso dia normal, que não temos que cumprir à risca todas as propostas escolares, pois se é verdade que os professores estão a fazer um enorme esforço e um ótimo trabalho, também é verdade, que não conhecem, nem podem conhecer a realidade familiar e logística de cada um, portanto, faremos o que achamos que será o melhor considerando as nossas próprias condições.

Assim, resolvemos aplicar em casa, de uma forma mais consciente e focada, aquilo que teoricamente já defendemos e promovemos no nosso trabalho:



E para este novo equilíbrio foi fundamental a criação de algumas novas rotinas e tarefas:

Empatia – coisas tão simples como olhar nos olhos, falar com as crianças ao nível delas, tentar aceitar o seu ponto de vista, ouvir calmamente, permitir sentir a frustração e os problemas, ajudar a resolver, são coisas que sempre fizemos mas que tentamos agora estar mais atentos. A troca de tarefas e a entre-ajuda nas tarefas domésticas também tem ajudado a que cada um valorize mais o lugar do outro e o trabalho do outro.

Resiliência – todos nos ajudamos, mas também promovemos a autonomia e permitimos os erros, as quedas, as aventuras, porque sabemos que só caindo se aprende a levantar (ai os pratos e copos partidos, para aprender a levantar a mesa e lavar a loiça…).

Otimismo – Além do já habitual “bom dia, alegria!” ao chegar ao pequeno-almoço, agora instituímos uma rotina ao jantar que se mostrou ser muito útil: as 3 coisas boas do dia – todos os dias ao jantar um dos elementos da família começa a identificar as 3 coisas boas do seu dia, e convida todos os outros a fazer o mesmo. O resultado é muito interessante, porque acabamos por conversar sobre o nosso dia, e ouvir o mesmo dia por diferentes perspetivas (promovendo também o desenvolvimento de empatia), porque nos força e identificar o que aconteceu de bom, porque nos provoca uma reflexão individual, que permite um balanço e análise, mais ou menos profunda do dia, e por vezes, até conduz à definição de novos objetivos individuais e familiares. São momentos muito interessantes!

Bem-estar – aqui, somos uns privilegiados, vivemos no campo, estamos rodeados de espaço para explorar, com ar puro, animais e montes de atividades para fazer. Desde o tratar dos animais, até ao apanhar caracóis ou fazer a manutenção da horta, passando por andar de bicicleta ou simplesmente trepar às árvores, por aqui o bem-estar é feito do contacto com a natureza.

Responsabilidade – este é o verdadeiro grande desafio familiar, a responsabilidade partilhada, as tarefas partilhadas, e menos peso individual. É claro que há tarefas só dos adultos e outras só das crianças. A responsabilidade cá em casa, anda de mão dada com a autonomia, começámos por colocar um despertador que se ouve em toda a casa, que toca a horas-chave e mostra palavras-chave (como lanche da manhã, aulas de um, aulas do outro, almoço, lanche da tarde…). Este despertador foi uma aposta ganha, assim os pequenos da casa sabem a que horas têm de parar uma atividade e ajudam-se um ao outro a passar para a seguinte (a pequena não sabe ler, mas com a ajuda do mano mais velho, fica a saber o que deve fazer e se precisar de algum apoio prático, pede-lhe a ele ou vem pedir aos pais). Além disso, cada um de acordo com as suas próprias capacidades e motivações, as crianças passaram a participar nas tarefas domésticas, ajudam a lavar loiça, estender roupa, cuidar da horta, tratar dos animais, fazem refeições simples e assim a família é isso mesmo: uma família e não apenas um conjunto de pessoas que partilha o mesmo teto.

E sabem que mais?

Escrever este texto ajudou-me, ainda mais, a aceitar a realidade que tenho e diminuir o sentimento de culpa, por todas as coisas que não estou a conseguir concretizar enquanto profissional ou mãe.
É verdade que os meus filhos não estão a seguir à risca todas a orientações escolares, é verdade que a casa está um pequeno caos, é verdade que não estamos a brincar e fazer tantos jogos de tabuleiro como imaginámos, mas eles estão a crescer bem, responsáveis, autónomos, críticos, conscientes e felizes. Nós estamos num processo de reprogramação pessoal e profissional, que levará tempo, mas confiantes que nos levará a bom porto.

Espero que este texto também possa ajudar quem o lê, tal como me ajudou ao escrever.

Partilho também algumas fotografias das atividades que os pequenos da casa vão fazendo e aprendendo por estes dias:






Semear, transplantar, ver crescer para depois colher, o contacto com a Terra e permanente exercício de paciência, tão bom para perceber que nem tudo acontece num abrir e fechar de olhos.










O mais velho aprende a lavar a loiça, poupando água, e rentabilizando o detergente, alguns pratos e copos partidos depois, já vai sendo eficiente, uma bela ajuda! 





Contacto com os animais: ternura, empatia, afectos...



Todas as manhãs tratamos dos animais, a mais nova adora ir verificar se há ovos e o mais velho já leva os Burros com uma confiança e empatia lindas, conversam de manhã e ao recolher... 



Descascar favas, para ela não é um trabalho mecânico é uma história a cada fava, leva tempo, mas está entretida no seu mundo e quando chega ao fim é uma festa ver a taça cheia para o jantar…





Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre!”

Charles Chaplin


ps – este texto foi escrito em quatro dias diferentes e não faz mal nenhum ;-)

domingo, 5 de abril de 2020

Fizemos sabão e partilhamos a receita...

Na verdade, a receita não é nossa, recorremos a uma receita partilhada por uma querida amiga através do Facebook, deixamos o link no final do texto.


Já não é a primeira vez que produzimos sabão em casa, mas esta receita correu especialmente bem, por isso resolvemos partilhar.


Atenção: as regras de segurança são importantes, existem para nos proteger e são para cumprir!!!!


Para conferir ao nosso sabão propriedades esfoliantes usámos borras de café, para ajudar na conservação usámos alecrim, e para um cheiro mais agradável usámos lavanda fresca (o alecrim e a lavanda foram apanhados diretamente da nossa horta, lavados, bem secos e triturados até formar um pó).


Aqui deixamos algumas fotografias das várias etapas do processo:
Uma semana depois, o topo está sólido.

Mas na base, ainda está moldável, precisa de ficar mais tempo ao ar...

Ficou mais uma semana destapado, com a parte mais sólida para baixo...

Prontinho, a cheirar bem e cortado em fatias!



Recomendamos usar o pacote de leite para enformar o sabão, mas na próxima vez cortaremos o pacote garantindo uma maior superfície de exposição ao ar, pois quanto maior a exposição ao ar, mais rápido será o processo de solidificação.


O nosso ficou pronto em duas semanas!


Um pouco da química da coisa:


Com certeza reparou que um dos ingredientes principais para a produção de sabão, é um óleo (no nosso caso usámos azeite usado que guardamos sempre depois de cada utilização).

Pois é, o sabão é produzido através da reação química de saponificação, uma reação química que ocorre entre um éster e uma base forte, formando-se um sal e um álcool.

Esta reação tem este nome pois, quando o éster utilizado é derivado de um ácido gordo, forma-se sabão. As principais fontes naturais de ácidos gordos são as gorduras e os óleos.
A soda cáustica foi a base forte usada.

Por aqui, também já usámos a chamada "lixívia de cinza", uma base natural que se produz deixando cinza de madeira em água durante vários dias. A água torna-se fortemente alcalina, devido à presença de sais de potássio na cinza. 
No entanto, com esta base o sabão formado não ficou tão sólido, formou uma pasta boa para a utilização na horta como fito-sanitário, mas menos apelativo para a utilização em casa.


Então, se o sabão se forma a partir de uma gordura, como limpa a gordura e não se mistura simplesmente?

Apesar de resultar da reação com uma gordura, a estrutura molecular do sabão é diferente.
A sua molécula possui um lado polar (com carga elétrica) que tem afinidade com a água, e outro apolar, que terá afinidade com a gordura. Assim, formam-se partículas que se mantêm dispersas na água e são arrastadas durante a lavagem.



A receita de sabão utilizada