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sábado, 2 de maio de 2020

Voltamos as abrir as portas da nossa Lura para si...

Olá a todos!

Temos uma mensagem para a sua família:



Somos um espaço, ao ar-livre, de aprendizagem e crescimento para todos.

Durante o tempo de maior confinamento das famílias em casa, mantivemos a actividade, cuidando da nossa horta e dos nossos animais, fazendo melhorias nas estruturas e espaços...

Agora, estamos muito felizes por anunciar que podemos voltar a receber-vos!

Começando por pequenos passos, a 4 de Maio, abrimos as portas para as visitas família.

Faremos visitas, apenas com marcação prévia - que pode ser feita por telefone (931617994) ou por email (aprendernaturalmente@gmail.com) - com a duração máxima de uma hora e meia, garantindo o tempo entre visitas necessário para a limpeza de espaços e as condições de bem-estar dos nossos animais. Teremos à disposição pontos de água e sabão para a lavagem das mãos, e teremos em atenção todas as recomendações da D.G.S. relativas ao distanciamento social e prevenção de contágio.

Nestas visitas vamos partilhar a nossa alegria de viver no campo, promover a interacção com os animais, o contacto e respeito pela natureza, haverá tempo e espaço para pequenos e graúdos desfrutarem de diversas sensações e estímulos.

Vamos brincar juntos?

Até breve!

domingo, 5 de abril de 2020

Fizemos sabão e partilhamos a receita...

Na verdade, a receita não é nossa, recorremos a uma receita partilhada por uma querida amiga através do Facebook, deixamos o link no final do texto.


Já não é a primeira vez que produzimos sabão em casa, mas esta receita correu especialmente bem, por isso resolvemos partilhar.


Atenção: as regras de segurança são importantes, existem para nos proteger e são para cumprir!!!!


Para conferir ao nosso sabão propriedades esfoliantes usámos borras de café, para ajudar na conservação usámos alecrim, e para um cheiro mais agradável usámos lavanda fresca (o alecrim e a lavanda foram apanhados diretamente da nossa horta, lavados, bem secos e triturados até formar um pó).


Aqui deixamos algumas fotografias das várias etapas do processo:
Uma semana depois, o topo está sólido.

Mas na base, ainda está moldável, precisa de ficar mais tempo ao ar...

Ficou mais uma semana destapado, com a parte mais sólida para baixo...

Prontinho, a cheirar bem e cortado em fatias!



Recomendamos usar o pacote de leite para enformar o sabão, mas na próxima vez cortaremos o pacote garantindo uma maior superfície de exposição ao ar, pois quanto maior a exposição ao ar, mais rápido será o processo de solidificação.


O nosso ficou pronto em duas semanas!


Um pouco da química da coisa:


Com certeza reparou que um dos ingredientes principais para a produção de sabão, é um óleo (no nosso caso usámos azeite usado que guardamos sempre depois de cada utilização).

Pois é, o sabão é produzido através da reação química de saponificação, uma reação química que ocorre entre um éster e uma base forte, formando-se um sal e um álcool.

Esta reação tem este nome pois, quando o éster utilizado é derivado de um ácido gordo, forma-se sabão. As principais fontes naturais de ácidos gordos são as gorduras e os óleos.
A soda cáustica foi a base forte usada.

Por aqui, também já usámos a chamada "lixívia de cinza", uma base natural que se produz deixando cinza de madeira em água durante vários dias. A água torna-se fortemente alcalina, devido à presença de sais de potássio na cinza. 
No entanto, com esta base o sabão formado não ficou tão sólido, formou uma pasta boa para a utilização na horta como fito-sanitário, mas menos apelativo para a utilização em casa.


Então, se o sabão se forma a partir de uma gordura, como limpa a gordura e não se mistura simplesmente?

Apesar de resultar da reação com uma gordura, a estrutura molecular do sabão é diferente.
A sua molécula possui um lado polar (com carga elétrica) que tem afinidade com a água, e outro apolar, que terá afinidade com a gordura. Assim, formam-se partículas que se mantêm dispersas na água e são arrastadas durante a lavagem.



A receita de sabão utilizada

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Crescer em Natureza - mais que uma atividade, uma quinta aberta para crescer feliz!

Depois do sucesso das Férias em Natureza, eis que chega o projeto:

Crescer em Natureza 

Porquê?

Porque é importante brincar!

Porque o campo nos dá a liberdade de brincar,

Porque em liberdade se aprende a amar,

Porque amando se aprende a respeitar,

Porque respeitando crescemos por dentro,

Porque merecemos crescer naturalmente felizes,

Porque o ritmo natural da vida ajuda a concentrar, a focar nos objetivos, a alcançar os desafios, a auto-regular necessidades e emoções, a desenvolver a auto-confiança...

E porque acreditamos que o contacto com a Natureza nos torna seres mais completos e felizes!

Vivemos em harmonia com a Natureza e os seus ciclos biológicos, respeitamos o ritmo de cada um dos habitantes da nossa Lura e gostaríamos muito de partilhar o nosso amor pela Natureza e pelo Mundo com cada vez mais crianças felizes!

Como? 

Num ambiente descontraído, ao ar livre, com contacto com a natureza e os animais, vamos promover o desenvolvimento de competências em áreas que consideramos fundamentais para um crescimento saudável e pleno:
 
Ambiente – Acreditamos que a melhor forma de aprender a valorizar e respeitar a natureza é amando-a. Estamos confiantes que os nossos animais e plantas conquistarão até os mais renitentes.
 
Cidadania – Promover a brincadeira conjunta, o trabalho colaborativo na resolução de problemas, implementar dinâmicas de grupo e criar espaços para debate e troca de ideais, para aprender a valorizar e respeitar a opinião de cada um, bem como a própria.
 
Dieta Mediterrânica – Mais que uma forma de alimentação, procuramos a promoção deste estilo de vida saudável, em todas as suas vertentes.

Desenvolvimento emocional e educação positiva – Através da ligação à Natureza e do reconhecimento dos seus ritmos naturais, juntos desenvolveremos a consciência dos nossos próprios ritmos, necessidades emocionais e descobriremos mecanismos de auto-controlo. O contacto regular com os animais permitirá promover a empatia, a capacidade de concentração, o foco na tarefa, entre outros.

E haverá ainda tempo, para brincar ao ar livre, descontrair e regressar a casa feliz…

Quando?  

Vamos ter parcerias com algumas escolas e colégios privados da cidade de Faro, se o seu educando frequenta uma destas escolas pode perguntar se na secretaria se já têm acordo connosco.

Às quartas-feiras teremos a Turma Livre que funcionará das 17h às 19h, a partir da semana em que tivermos o número mínimo de 6 inscrições e estará limitada a 20 inscrições.

Pode fazer a inscrição do seu educando aqui. Será contactado em breve.

Temos ainda parceria para outros horários, com a Associação de Pais da Escola do Alto de Rodes e com o centro de estudos CEPSIFORMA.

Onde?

Na Lura, naturalmente...

Qual o preço?

A frequência da Turma Livre uma vez por semana sem transporte terá um custo associado de 20€ por mês, por criança.

Se não tem transporte, não deixe de fazer a inscrição, informe-nos e tentaremos arranjar uma solução.

Quem pode frequentar?

A Turma Livre estará aberta a inscrições de crianças dos 4 aos 10 anos.



 
 


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Este ano o nosso Verão vai ser ainda melhor!

Sim, já estamos a preparar o Verão!

Já estamos a receber reservas
para visitas bem diferentes e divertidas,
para grupos maiores ou menores,
de "atls", "centros de estudos" e outros que tais,
que já nos conhecem, ou que querem ver mais...

Estamos de portas abertas,
Preparados para o calor que se adivinha,
Com a piscina bem bonita e limpinha.

Para as noites longas e felizes,
Temos o armazém da brincadeira num primor,
As estrelas prontas a actuar,
Mesmo nas noites de luar. 

Os coelhos a crescer,
As galinhas a pastar,
e o Tito e o Garoto,
Ansiosamente a aguardar...

Bora lá reservar
os dias especiais,
em Junho, Julho e Setembro,
Bora lá reservar
antes de tudo se ocupar!

E Agosto?!?!

Em Agosto:
Férias em Natureza, 
com certeza!

Pode fazer já a inscrição aqui


Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto. 

Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

Até breve ☺

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Limpezas em Família


Um destes domingos tivemos uma tarde diferente:

Resolvemos aproveitar o Sol a brilhar e a brisa calma, para, como disse logo o mais velho, ajudar a mãe natureza...
Resolvemos calçar luvas, e, munidos de saco de papel, vários sacos de plástico e um balde fomos, em família, limpar a berma da estrada.



A estrada de acesso à Lura, já há muito que precisava de uma intervenção destas, começamos junto ao nosso portão e fomos andando em direção ao primeiro cruzamento.
Com várias idades e capacidades diferentes, rapidamente as tarefas de cada um se diferenciaram e esta tarefa se transformou numa forma de aprendizagem e jogo coletivo:






- A mais pequena escolheu ficar responsável pelo transporte dos plásticos, com um saco de plásticos de asas, lá andava ela, uma asa em cada mão a abrir e a fechar o saco, atenta a qual dos restantes dizia “plástico”, para correr a receber o lixo e ir enchendo o seu saco. A cada saco cheio pedia ajuda para fechar e abrir outro vazio...



 

- O mais velho, procurava identificar e diferenciar o lixo, transportava o saco de papel e de vez em quando lá se distraía com qualquer elemento natural que lhe chamava mais a atenção.





- No final, já com as crianças um pouco cansadas, foi a vez do pai ajudar. Aqui a tarefa era mais complicada e deu direito a claque de incentivo por parte dos pequenos, tirar, com a ajuda de uma vara, um bocado de plástico do alto de uma amendoeira, não foi tarefa fácil, mas conseguiu-se!




Depois de terminada esta última tarefa, embora ainda não tivéssemos chegado ao final da estrada, estávamos todos cansados e resolvemos parar por aqui. Já tínhamos 4 ou 5 sacos cheios de plásticos, uma saco grande de papel e um balde com vidro e lixo indiferenciado!

Decidimos parar de comum acordo, mas ficou a promessa de voltar e terminar, “pelo menos a nossa rua”, disse, mais uma vez, o mais velho que ficou bastante motivado e sensibilizado para todo o problema do lixo que não vai para onde é suposto ir.

Esta foi uma tarde familiar, divertida e extremamente pedagógica, que a meu ver mostra que por vezes perdemos tempo e paciência a procurar atividades interessantes para fazer com as crianças ao fim de semana, gastamos tempo e dinheiro, quando podemos simplesmente olhar em volta, aproveitar as coisas simples e passar bons momentos, fazendo algo útil e ajudando a construir um futuro melhor, pois é isso que se está a fazer quando educamos e promovemos o crescimento com valores, princípios e respeito pela natureza!



“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre!”

Charles Chaplin

quarta-feira, 14 de março de 2018

Uma Festa de Aniversário pode ser ecológica!


As festas de aniversário infantis, são um negócio!

Sim, é verdade, cada vez mais, os pais sentem pressão social para transformar a festa de aniversário do seu filho num momento de divulgação familiar, há quase uma obrigação de fazer, de fazer em tal sitio, (porque o outro pai também fez, ou porque os miúdos até gostam e ali não dá muito trabalho a organizar...), de convidar a turma toda ou a família toda...
Para já não falar de alguns meios em que quase se gera uma competição decorativa entre mães.
Escolhe-se o espaço, pensam-se mesas, decorações a condizer, temas, copos, guardanapos, bandeirolas, balões, etc. um mundo de decoração descartável para festa de aniversário, que existe on-line (para os mais exigentes e originais) e nas mais variadas lojas e supermercados para quem procura soluções baratas e “na moda”.

E o ambiente, onde fica no meio da decoração bonita?

Fica esquecido, vem aquela máxima “ um dia não são dias” e “ele só faz anos uma vez por ano, é um dia especial”... Somos muito bons a arranjar desculpas!

A verdade é que se pensarmos bem, se cada pai fizer uma revisão mental, facilmente concordará que o seu filho é convidado para uma festa (única no ano) mais de uma vez por mês, então já são quantas exceções? quantos dias especiais? Quanto descartáveis atirados fora sem sequer pensar no assunto?

Na Lura fazemos festas de Aniversário, sim!

Mas não abdicamos dos nossos valores e princípios, aliás acreditamos que até um dia de festa pode ser um dia perfeito para a consciencialização de cada um dos nossos visitantes.
Por isso travamos algumas batalhas constantemente:

- A Reciclagem -

Temos um eco-ponto (estamos a preparar mais para espalhar por mais locais da quinta) e em todas as festas de aniversário quando nos perguntam onde colocar o lixo (porque não há um saco ou caixote logo junto à mesa do aniversário) explicamos que o eco-ponto está disponível e é fácil de utilizar.
Acreditem, é uma batalha, pois muitas vezes no final da festa temos de verificar e efetuar algumas trocas no lixo colocado nos caixotes, pois mesmo com explicação afixada em cima ocorrem muitas trocas...
Mas acreditamos que vale a pena, não nos chateamos com o possível trabalho acrescido, porque sabemos que o caminho se percorre caminhando.

- A Reutilização -

Ainda temos algumas arestas para limar e sabemos que temos bastantes coisas que podemos melhorar, mas fazemos questão de colocar à disposição dos nossos clientes (grandes e pequenos) materiais laváveis, e que, mesmo durante o tempo de apenas uma festa o mesmo copo possa ser usado mais que uma vez (procurando garantir a disponibilidade para a rápida recolha, lavagem e disponibilização da loiça suja).
Quer nas festas de aniversário, quer nas nossas visitas pedagógicas é possível verificar que para nós cada peça cada objeto pode ter mais que um fim, um simples exemplo disso é o nosso ecoponto que resulta ele próprio da reutilização de materiais.

- A abolição do descartável -

Este é um desafio que impusemos a nós próprios deste o primeiro dia de funcionamento.
Devemos confessar que não é fácil, e que por vezes, foi escolhemos o caminho mais imediato sem sequer termos consciência das opções que tomamos. Mas, com o tempo, com a ajuda de alguns clientes mais perspicazes e atentos que nos foram alertando para possíveis incoerências, com o facto de dizer-mos a mesma coisa muitas vezes e dar-mos por nós a verificar pormenores para garantir, a tal coerência, agora temos uma mesa de aniversário sem descartáveis!

Esta mesa tem decoração, tem etiquetas bonitas, agora até já tem uma faixa de “Parabéns” temática, tem gelatinas servidas em uni-doses, tem balde de pipocas, tem sandes, enfim é uma mesa recheada...

Nesta mesa, tudo é reutilizado!

* As gelatinas são servidas em formas de silicone que são lavadas no final de cada utilização;
* As taças, copos, pratos e talheres são laváveis;
* As decorações foram pensadas e feitas em materiais laváveis e duráveis para que possam ser guardados no final de cada festa e usados nas seguintes, sem comprometer a qualidade aqui impõe-se um Obrigado à Multicópias que nos ajudou na criação destes materiais);
*Até os sumos naturais feitos por nós, na hora, são servidos em garrafas de plástico que já serviram outros sumos...

- A responsabilização de cada um -

Nós fazemos a nossa parte, fazemos os nossos esforços para a consciencialização de todos mas sabemos que por vezes, outro valores falam mais alto e que nem sempre podemos evitar tudo.
Por isso, apesar de pedir-mos sempre aos nossos clientes que abdiquem do descartável, e procurem minimizar o impacto ambiental das decorações, por vezes a festa “tem mesmo que ser temática” ou “quero mesmo assinalar este dia de forma especial” e aí o que fazemos?
“Tudo bem, não há problema. No final da festa caberá a si a recolha dos materiais”.
É claro que esta recolha é feita, mas nós também sabemos que muitas vezes, depois destas festas onde o descartável aparecer ou as decorações ou lembranças foram menos ecológicas, lá temos uns plásticos de rebuçados que ficaram no canteiro, ou um copo descartável que foi parar à horta, etc.
E estamos cá para isso, apanhamos, sorrimos e mantemos a esperança que cada vez mais os nossos clientes compreendam que a ecologia não é só uma opção de vida é uma necessidade e obrigação de todos nós, a bem do futuro das próximas gerações...


Estamos longe ser ser perfeitos!

Atenção, não queremos com este texto, de modo algum, passar uma mensagem de que somos perfeitos ou um exemplo de boas práticas. Apenas partilhamos as nossas opções e convicções.
Ecologicamente, sabemos que ainda temos muito caminho a percorrer na nossa quinta, idealmente e no limite, não deveríamos usar plásticos. Mas, como já disse anteriormente, acreditamos que o caminho se percorre caminhando...

Assim, queremos agradecer a todos os que colaboram connosco e nos ajudam nesta tarefa permanente da consciencialização ambiental, a todos os que nos propõem novos desafios e nos levam a melhorar as nossas iniciativas.

E já agora gostaríamos também de partilhar um desafio a que já aderimos, mesmo antes de o conhecer: 40 dias sem plástico


Obrigada pela sua atenção.

Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.
Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.






quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Voluntariado: dádiva e bem-estar pessoal



Sempre achei que devemos lutar por tudo o que acreditamos, por isso, sempre tive uma vida socialmente ativa, quer através da participação em movimentos associativos e/ou partidários, quer no envolvimento em momentos de luta na defesa de direitos que considero fundamentais.
De certo modo, penso que a minha mudança de vida (sair da grande cidade onde dava aulas em escolas públicas e privadas, para vir abrir uma quinta pedagógica de dimensão familiar assente em valores e princípios que considero fundamentais), é também o reflexo disso mesmo, de uma necessidade de fazer aquilo em que acredito, ser fiel aos meus princípios e promover uma educação com regras, respeito, consciência cívica e ambiental.

Gosto muito do meu trabalho...

Sinto-me realizada todos os dias e mesmo quando sinto que não consigo fazer tudo o que queria ou chegar a tantos quantos gostaria, não penso em desistir, penso em novas formas de o fazer, em modos de melhorar, quer a mensagem pedagógica quer as formas de concretização das mesma.

Para passar uma mensagem, para ajudar a construir algo melhor, tenho que estar bem!

Por isso, e porque não tenho propriamente um horário de trabalho pré-definido, nem dias de descanso fixos (pois como sabem, trabalho durante a semana com visitas e terapias e aos fins de semana e feriados com terapias, festas e o que vai surgindo, além da rotina diária de manutenção da quinta...), decidi já há algum tempo, tirar um dia para mim. Uma vez por semana tenho um dia para cuidar de mim, um dia para fazer bem a mim.

E o que faço no meu “dia de mim”?

Poderiam pensar que será o dia em que fico na cama até mais tarde, ou que aproveito para pôr a casa em ordem, ou ainda que aproveito para ficar no sofá a ver qualquer coisa na televisão ou navegar na internet...

Nada disso!

O meu dia de mim, é um dia com horários como todos os outros, com rotina e compromissos, mas é o dia em que cuido da alma, pratico Yoga, tenho um tempo reservado para “café com amigos”, almoço em família, escrevo ou pinto e faço voluntariado.
Sim, dedico duas horas do meu dia a trabalhar voluntariamente!
Trabalho e não me pagam, faço isto de forma regular, não só porque acredito na causa (neste caso, o combate ao desperdício alimentar, aproveitando para garantir a alimentação a quem dela precisa) mas também porque isso me faz bem.
O trabalho voluntário tem essa coisa boa que é o facto de que todos os que o fazem o fazem de livre e espontânea vontade, sem pressões e sem contrapartidas.

Sou voluntária no Re-food...

E adoro aquelas duas horas, são apenas duas horas semanais que me fazem sentir mais útil à sociedade, onde conheço pessoas novas e vou aprendendo a lidar com diferentes feitios e formas de trabalhar, onde faço o que é preciso quando é preciso, onde é tão importante lavar loiça, como “passear” de bicicleta ou preparar refeição equilibradas para famílias distintas com gostos e intolerâncias diversas.

E com tudo isto, com a mudança de estilo de vida, com o trabalho voluntário, com as voltas que as vidas vão dando à minha volta, cada vez compreendo mais e me faz mais sentido um dos princípios (Niyama) do Yoga - “Ísvara Pranídhana”, que significa em português (espero não estar a cometer nenhum erro ou incorreção) o desapego do resultado das ações, ou como dizia muitas vezes uma muito querida professora de Yoga, “é o dar sem esperar receber nada em troca”.
E cada vez me faz mais sentido, porque cada vez mais sinto que quando faço as coisas, de livre e espontânea vontade, porque acredito no que estou a fazer, porque me faz sentido ou simplesmente porque me apetece, as coisas correm melhor e ganham uma importância diferente. Digamos que, quando fazemos algo porque realmente acreditamos no que estamos a fazer e não simplesmente porque justifica o nosso ordenado ao fim do mês, o nosso empenho é diferente, o esforço é diferente e quando algo corre mal, conseguimos mais facilmente relativizar, olhar à volta e encontrar o erro (ou não), compreender que se calhar não era exatamente aquilo que devíamos fazer, ou daquela forma e acima de tudo quando fazemos sem esperar reconhecimento, ou tentando criar o mínimo de expectativas possível, quando as coisas acontecem, quando há um reverso da medalha e a vida nos corre bem, sabe tão bem!!!!


“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre!”

Charles Chaplin

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A Lura foi à escola...


Pois é, resolvemos sair da nossa quinta e levar alguns dos nossos conselhos sobre ecologia a alimentação à Escola do Carmo.

Tudo começou com um convite por parte de Associação de Pais desta escola para a Lura promover uma ação de sensibilização ambiental na escola.

Foi uma novidade para nós...

Desde que a Lura existe já foram feitas algumas visitas a escolas, mas noutros contextos, com animais, ou apenas para contar uma história. Agora, pediram-nos algo de maior responsabilidade: promover uma ação de sensibilização ambiental que chegasse a todos os alunos daquela escola.

Depois de algumas hesitações iniciais, resolvemos aceitar o desafio e preparar tudo para um conjunto de conversas, que iriam decorrer durante uma semana, com todas as turmas da escola.

Tudo aconteceu em Janeiro...

Depois de bem articulado, através da Associação de Pais, com professores e toda a comunidade escolar, lá fui eu, com o meu saco de pano recheado com um lanche saudável e a minha deliciosa água aromatizada, conversar com muitos meninos.

Fora três dias intensos!

De manhã com uma turma de pré-escolar e à tarde com duas ou três turmas do primeiro ciclo. Foram conversas informais, bastante agradáveis, onde se discutiu a importância de beber água, as vantagens de consumir bolachas ou bolos feitos em casa (em vez das alternativas de pacote que se compram no super-mercado), onde se contabilizou o numero de embalagens que cada turma deita fora por dia e se discutiu alternativas (como a reutilização de embalagens e a escolha de outras opções alimentares), onde se identificou quais as frutas da época e as vantagens do seu consumo (discutindo inclusive o impacto ambiental do transporte da fruta e de outros alimentos necessário à comercialização fora da sua zona de produção).

Fui muito bem recebida!

Apesar da apreensão inicial, do “nervoso miudinho” e das dúvidas sobre a recetividade dos mais pequenos a este formato de conversa, tudo decorreu de forma bastante simples e ligeira.
Foi ótimo! Fui recebida da melhor forma por toda a comunidade escolar, os alunos ouviram, questionaram, participaram de forma ativa, os professores e auxiliares, acolheram a iniciativa, colaboraram e participaram ativamente também.

Mas, a melhor parte foram as conclusões: houve alunos que aceitaram o desafio de registar e alterar hábitos alimentares, outros colocaram em cartaz o resumo da conversa e as aprendizagens desenvolvidas. Estou certa que no fim de semana seguinte, muitas famílias fizeram bolos ou bolachas juntas, que começaram a olhar para a embalagem da manteiga ou do iogurte de outra forma (deixou de ser descartável e passou a ser uma ótima forma de levar uma fatia de bolo ou bolachas para a escola). Muitos destes meninos passaram a olhar para a fruta e para as prateleiras do supermercado de outra forma.

Foi muito bom, ver como existem professores, que se envolvem nestes debates, que dão o exemplo e promovem desafios, que estas ações de sensibilização podem ser muito mais que isso e ser transformadas num ponto de partida para a mudança de mentalidades e atitudes.

Para mim, honestamente, foi muito, mas mesmo muito bom, voltar a estar numa sala de aula ou biblioteca, rodeada de crianças e, mesmo que informalmente, ensinar, dar um pouco de mim e receber o muito que os pequenos têm para nos dar...

Muito Obrigada à Associação de Pais pelo convite.

Muito Obrigada aos professores e funcionários pela atenção disponibilizada e participação ativa.

Muito Obrigada a todos os participantes por terem tornado esta semana tão rica!



Até à próxima!


Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.
Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Já temos 4 Anos e, este verão, demos um pulo!


Pois é, a Lura continua a crescer...

Os espaços vão melhorando, mais uma pintura aqui, mais um jogo ali, a horta mais cuidada e produtiva, mais árvores a crescer, mais “experiências agrícolas” (que nós temos muita vontade, mas também ainda muito que aprender), os nossos animais estão mais habituados às visitas (agora, até já reclamam quando o movimento diminui...) e nós mais focados e também mais versáteis, com algumas apostas ganhas e outras que caem ao chão e lá ficam, também vamos aprendendo e crescendo sempre com muito gosto no que fazemos (ou não fosse esse um dos nossos lemas).

Este verão foi o máximo!

Este verão, foi efetivamente um marco no nosso crescimento, estivemos sempre ocupados, sem pausas, com visitas, regulares ou pontuais, de diversos centros de estudo e ocupação de tempos livres, com festas de aniversário, com acantonamentos, com participação em feiras para divulgação do nosso trabalho, etc.
E assim, no meio desta azáfama boa, nasceram: um novo jardim, um novo mural, novos jogos para grupos, novas ideias e atividades.
Porque por vezes o ritmo acelerado e o trabalho com muitas crianças diferentes aumenta a motivação e, no nosso caso em particular, potencia a criatividade.
Foi mesmo um verão bom, obrigada a todos os que fizeram parte dele!

Por vezes crescer custa...

Não é só com a crianças que há dores de crescimento, medos, angustias e afins, nesta coisa do trabalho isso também acontece. Por vezes também constatamos que demos um passo maior que a perna, ou que é necessário dar um passo atrás, parar e refletir, para dar depois, dois seguros passos à frente.
Nestes 4 anos, isso já nos aconteceu, já houve coisas que falharam, eventos que correram menos bem, objetivos que não foram cumpridos, momentos em que passou pela cabeça parar (bem, esses não houve, a verdade é que gostamos mesmo disto).
Sim, houve e há momentos menos bons, como há em todas as famílias, em todas as empresas, em todos os dias de uma criança a crescer, e o importante é o que fazemos com eles. Nós decidimos, parar (por vezes até dormir sobre o assunto) refletir, aprender o que for possível e não voltar a cometer o mesmo erro.
Como diz uma grande professora e amiga “errar uma vez é humano, duas vezes é distração, três vezes é só estúpido”.

Queremos fazer mais e melhor!

Começámos com as festas de aniversário, depois vieram as visitas pedagógicas, as visitas sénior, agora já fazemos visitas familiares, acantonamentos, visitas temáticas de férias etc.
Mas queremos mais.
Desde o inicio que um dos objetivos da Lura é ser uma quinta pedagógica inclusiva, que qualquer um possa visitar. Que qualquer pessoa possa, através da interação com os animais, do contacto com a natureza, aprender e crescer como ser humano mais consciente, para um mundo mais sustentável.
Assim, este ano estamos a centrar um pouco mais as nossas energias neste objetivo, o da inclusão, estamos a começar com a Asinoterapia (terapia com Burros), a promover parcerias para garantir o transporte para as visitas escolares que até agora não tiveram forma de cá chegar, a preparar novos espaços e atividades.

Esperamos ter mais novidades em breve,

Até lá, queremos deixar o nosso enorme agradecimento a todos os que contribuíram e contribuem para o nosso crescimento.

Muito Obrigada!




Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.
Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O desafio da bicicleta, mais um passo...


Bom dia, Alegria!

É tão bom começar o dia com exercício físico, a sério, cansa, custa, mas quando vamos começar o dia de trabalho depois de uma horinha de exercício físico parece que temos outra energia!

E o que fizemos hoje de diferente?

Fomos para as escolas de bicicleta, e correu tudo bem!
No entanto quero partilhar convosco alguns pormenores cómicos e erros de principiante:

Erro nº 1 – Dizer ao mais velho, na noite anterior que “amanhã vamos para a escola de bicicleta, portanto vamos ter de sair mais cedo de casa, de manhã tens de te despachar, ok?”
Resposta da criança – (grande sorriso) ok mãe, quando acordar visto a minha roupa e vou-te logo acordar para não te deixares dormir, ok?
Resultado prático desta conversa – o puto às 6h35, aparece vestido (mais um pormenor sórdido, hoje tinha uma camisola que brilhava no escuro), junto à minha cabeceira a dizer “ mãe, mãe, hoje vamos de bicicleta tens de acordar” - Tal não era a excitação!
A minha resposta, com um olho meu aberto e outro meio fechado: "que horas são? Volta para a cama, não, vai antes para o sofá para não acordares a tua irmã..."
Escusado será dizer que às 6h50 a irmã também entrava pelo quarto a dentro, com direito a luz acesa e tudo!

Aprendizagem para o futuro – NÃO SE ANUNCIAM ACONTECIMENTOS ENTUSIASMANTES ANTES DE DORMIR!

Ultrapassada esta fase dos olhos “arremelados” e vontade de ficar na cama “só mais um bocadinho”, lá nos despachamos todos em tempo recorde e às 8h15 estávamos nas bicicletas prontos a sair.

Pormenor cómico: quando a mais pequena percebe que o mano vai de bicicleta e vem ter comigo dizendo o seguinte “mãe, bicipeta comigo, sim?”, respondi que sim e haviam de ver a cara de felicidade, vestiu as segundas calças e o corta vento de corpo inteiro (que já serviu para o irmão apanhar muita chuva quando era desta idade e agora serve para a proteger do vento nos passeios de bicicleta, temos que agradecer ao Tio que o trouxe da Noruega – Obrigada Tio!) e lá fomos para as bicicletas.

Tenho que confessar, estava um pouco apreensiva, é uma responsabilidade sair assim de casa com os dois para esta aventura, havia mesmo uma pontinha de medo, digamos assim. Mas o entusiasmo do mais velho encheu de confiança toda a equipa!

Primeira paragem escola do mais velho, um sucesso, tudo correu bem, e ele chegou mais inchado que um tomate, enquanto parávamos a bicicleta púnhamos o cadeado e essas coisas todas, deve ter dito pelo menos a umas 10 pessoas que iam a chegar à escola também “olá, eu hoje vim para a escola de bicicleta!”, estava mesmo contente, com tanta excitação que estou certa que ia contar ao professor e à turma inteira antes de deixar que alguma coisa comece na sala de aula.

Objetivo nº 1 conseguido, sigo eu e a mais nova em direção ao Faro...

E lá fomos, eu sempre a pedalar, meio cómica porque levo a mochila dela às costas e as minhas coisitas no cesto na frente da bicicleta e vou sempre a falar com ela e a responder aos seus espantos e comentários. 
Falámos das filores, das aves (árvores), dos cãozinhos, dos calos (carros), dos camilões (camiões) e até dos mémés que se viam do alto do viaduto...
E assim calmamente lá chegámos ao ponto que mais me assustava, a rotunda de entrada em Faro.
E não é que se fez muito bem, os condutores até são mais civilizados e cuidadosos do que eu estava à espera.
Depois vinha mais uma enorme subida para chegar ao infantário, aí confesso, vim um bocadinho a pé que as forças já começavam a faltar. Terminada a subida, mais um pouquinho a pedalar e chegámos à escola.
Aqui temos reações muito interessantes, o ar preocupado da funcionária que nos vê chegar e pergunta muito solidária “então, hoje tiveram que vir assim?”, haviam de ver a cara de surpresa quando respondi “tivemos não, é uma opção ecológica da família.” e o ar, também surpreendido da educadora e auxiliar da sala dela, quando percebem que viemos de bicicleta, eu já lhes tinha dito que o iríamos fazer, mas hoje percebi que efetivamente achavam que eu estaria apenas a “viajar na maionese” e não iria fazê-lo, pelo menos não já.

Enfim, foi bom, gostámos todos, e vamos repetir!

Bom dia para todos!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Brincar ao ar livre, aprender e crescer verdadeiramente!


Cada vez se brinca menos ao ar livre. Se olharmos à nossa volta, se compararmos os nossos hábitos na infância com os hábitos das nossas crianças, rapidamente nos apercebermos que as nossas crianças passam menos tempo ao ar livre.

São vários os fatores que conduzem ao sedentarismo das crianças:

- a oferta de entretenimento sedentário é cada vez maior e mais aliciante – nós tínhamos o rádio a a televisão como alternativas ao jogo e à brincadeira de rua, em grupo ou sozinho. Agora, cada vez é mais fácil o acesso aos tablets, telefones (onde a função de telefonar é um acessório), consolas, computadores, etc.

- o fator medo limita as opções parentais – se para os nossos pais era aceitável, perder o filho de vista quando este vai jogar à bola com os amigos na rua, ou deixar atravessar um quarteirão sozinho para ir ter com os amigos ao jardim do bairro, hoje em dia, existe o medo do rapto, dos acidentes, do assédio, e a possibilidade de perder o nosso filho de vista, mesmo que este esteja a brincar num parque infantil a menos de 10 metros de distância, é aterradora.

- toda a família trabalha e trabalhamos mais horas – consequentemente, há menos tempo para estar com as crianças ao ar livre, o horário escolar é maior e quando não é suficiente (o que acontece na maior parte dos casos) recorre-se aos centros de estudos e de ocupação de tempos livres, já que em grande número das famílias, não há a alternativa da “casa da avó ou da tia” onde se vai brincar ao fim do dia.

Este sedentarismo é preocupante e tem consequências!

Porque é tão importante brincar ao ar livre?

Bem, comecemos pelo início, é importante brincar!

Brincar é um direito da criança – “Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística.” é o que podemos ler no artigo 31 da Convenção sobre os Direitos da Criança.

Na Ata Portuguesa Pediátrica de 2013 pode ler-se “As vantagens de brincar verificam-se a vários níveis. Ao favorecer a atividade física, constitui uma estratégia na prevenção da obesidade. Intelectualmente, estimula a aquisição de competências, treino da atenção e capacidade de resolução de problemas. No plano emocional e social, brincar proporciona diversas situações em que é testada a relação com os pares, permitindo desenvolver a resiliência. Além disso, ao transferir para a brincadeira objetos ou fenómenos da realidade externa, a criança constrói as bases para a compreensão de si própria e do mundo, expressando os seus medos e frustrações, mas também a sua criatividade”(Póvoas et al., 2013).

Assim, se brincar é só por si uma forma construtiva de crescer, desenvolver identidade, autonomia e auto-confiança, brincar ao ar livre é mais enriquecedor ainda!

Quando brincamos ao ar livre, temos um mundo natural por explorar...

A exploração espontânea dos espaços, estimula a capacidade de observação, a curiosidade, a criatividade, promove a auto-consciência corporal, o auto-controlo, a autonomia e permite desenvolver mecanismos e competências de resolução de problemas.
Segundo a psicóloga Gabriela Bento, “a possibilidade de brincar ao ar livre, de forma autónoma e espontânea, permite desenvolver competências motoras, sociais, cognitivas e emocionais, que se revelam fundamentais para a vida adulta (e.g. capacidade de tomar decisões, cooperar com os outros).”(Bento, 2015)

Além disso, a Natureza tem o seu ritmo próprio. Assim, estar em contacto com a Natureza, preferencialmente no seu estado puro e não controlado (ir ao Jardim Zoológico é estar em contacto com a Natureza, mas aqui esta encontra-se definida e controlada pelo Homem; já ir à praia ou simplesmente passear no campo, seja num parque natural ou num simples terreno baldio, é uma experiência completamente diferente), não só promove o respeito pelo ambiente, como diminui estados de stress e agitação. 

Quando uma criança tem contacto frequente com a natureza no seu estado puro, aprende rapidamente a dar valor a pequenas coisas e a usar todos os seus sentidos para explorar o que a rodeia. 

Muitas vezes, temos tendência para achar que para fazer uma criança feliz, temos que lhe proporcionar grandes experiências, que uma ida ao Jardim Zoológico, para ver grandes animais exóticos ou ao Oceanário, para ver o que “não podemos ver todos os dias”, isso vai certamente fazê-la feliz, e fará. Mas já pensaram quantas vezes a vossa criança teve tempo e oportunidade para observar uma formiga, ou um bichinho mais esquisito? Quantas vezes o deixaram correr em campo aberto, só porque sim? Já alguma vez subiu a uma árvore? Colecionou conchas ou pedrinhas? Ficou parada a observar o rebanho que passa? Tentou descobrir quantos bichos diferentes estão no chão à sua volta? Descobriu a flor mais linda... Confesso que muitas vezes ainda fico surpreendida com algumas reações de espanto e surpresa dos meus filhos perante coisas que, aos meus olhos de crescido, são simples e banais, mas para eles são maravilhosas, como por exemplo a textura e som de uma folha seca de amoreira, a estrutura de uma teia de aranha, ou uma planta que cresce enrolada noutra.

Se os nossos filhos tiverem mais oportunidades para contemplar a Natureza, estou certa que descobrirão a sua beleza, autenticidade e importância, tornando-se consequentemente em adultos mais completos, respeitadores e felizes.


E escrito isto, vamos brincar lá para fora?




Bibliografia:

Bento, G. (2015). Infância e espaços exteriores – perspetivas sociais e educativas na atualidade. Investigar Em Educação, IIaSérie(4), 127–140.
Póvoas, M., Castro, T., Mateus, A. M., Costa, M., Escária, A., & Miranda, C. (2013). O brincar da criança em idade pré-escolar. Acta Pediátrica Portuguesa, 44(3), 108–12.
Strecht-ribeiro, O., & Almeida, A. (2011). As vivências de Contacto com a Natureza de crianças do 1o ciclo: implicações para o contexto formal e não formal de aprendizagem. Actas Do XIV Encontro Nacional de Educação Em Ciências/ Braga, Universidade Do Minho, 978–989.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Conhecer os símbolos, comprar consciente


Olá a todos!

Cada vez mais tenho preocupações ambientais e de respeito pela Humanidade.

Procuro no meu dia-a-dia ser coerente com o que defendo, quer na educação ambiental que promovemos aqui na Lura, quer em momentos de debate, apresentações ou mesmo nas conversas entre amigos. Mas por vezes não é fácil.

A sociedade de consumo em que vivemos e a forma como as grandes multinacionais nos fazem chegar produtos mais baratos aos supermercados, por vezes, torna difícil comprar com a consciência de que o que estamos a comprar baratinho, não resulta de exploração humana, de produção massiva ou monocultura intensiva (com consequências ambientais devastadoras) ou da utilização de produtos altamente tóxicos e nocivos para o meio ambiente.

Com o tempo, esta preocupação permanente, aliada a algum espírito critico e capacidade de observação, têm-me dado a conhecer e conduzido à procura símbolos que me transmitem informação e alguma confiança no que estou a consumir. Não é que eu só consuma produtos com estas referências ou que altere significativamente os meus hábitos para ir ao encontro destes rótulos.
Aliás, continuo a defender e a preferir os produtores locais e a acreditar que não há melhor que conhecer quem nos vende a fruta e os legumes para saber que são bons e que não foram apanhados verdes há um mês atrás.
Simplesmente, quando vou a um supermercado, passei a reconhecer determinados símbolos e a tomar a decisão do que comprar com mais esta ferramenta informativa.

E como acho que a informação que me é útil é para partilhar, aqui ficam alguns destes símbolos e o seu significado:



Esta certificação garante que o produtos, que são acompanhados deste a sua produção até ao local de venda, são produzidos, distribuídos e embalados de um modo sustentável. Para conseguir esta certificação, os fornecedores têm de seguir um código de conduta que garante um acompanhamento técnico para melhorar os métodos de cultivo, condições de trabalho e respeito pela natureza, o que leva a melhores práticas de produção, melhor meio ambiente e melhores condições de vida.

 

Aqui o importante é a “troca justa”, desde o mais indiferenciado trabalhador até ao dono da exploração. O que se certifica é que, ao longo de toda a cadeia de produção, todos recebem uma parte justa dos rendimentos dos bens produzidos.







Esta é uma organização não governamental sem fins lucrativos que pretende garantir a preservação da biodiversidade e sustentabilidade das florestas. Segundo os próprios, este símbolo é um símbolo de sustentabilidade ambiental, social e económica, que pode ser encontrado em produtos de origem agrícola e/ou florestal em todo o mundo.





Florestas para Todos para Sempre
“A Certificação FSC dá aos consumidores a garantia que os produtos que compram são provenientes de fontes responsáveis, que apoiam a conservação dos espaços florestais, permitindo que o mercado possa ser um incentivo para uma melhor gestão florestal.” Aqui é possível ver três tipos de rótulo:
- 100% - que nos indica que toda a madeira utilizada provem de florestas certificadas.
- Recycled – que nos indica que a madeira ou papel utilizado é reciclada.
- Mix – que nos indica que 70% da madeira ou papel provem de florestas certificadas ou é reciclada e os restantes 30% provêm de florestas controladas (não sendo certificadas, garante-se que não provem de exploração ilegal, de desrespeito pelos direitos humanos, de áreas protegidas, de organismos geneticamente modificados, etc.)

 

Este é um certificado europeu para garantir que o produto tem um impacto ambiental mínimo, mantendo a qualidade desejada. Também aqui, para que o produto seja certificado, toda a cadeia de produção, distribuição, venda e consumo tem de cumprir critérios de respeito pelo meio ambiente, inclusive, todas as embalagens destes produtos devem ser recicláveis.



 
 
Este é também um símbolo europeu, que nos assinala um modo de produção que visa produzir fibras têxteis e alimentos de elevada qualidade e saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola. 
 



E, posto isto, boas compras!







Para quem quiser saber mais sobre algum destes símbolos ou certificados deixo também os principais links que utilizei para juntar esta informação.