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sábado, 15 de setembro de 2018

Um bom ano lectivo 2018/2019 para todos!





“A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”

Nelson Mandela

É com este mote que este ano quero dar as boas vindas ao novo ano-letivo e, pela importância do ensino e da educação na formação de uma sociedade, este ano proponho que todos assumamos o compromisso de:

- Respeitar , valorizar e agradecer aos professores

Os seus, os dos seus filhos, os da sua família, todos!
Porque o trabalho de um professor é fundamental e decisivo na nossa vida e no nosso crescimento. Quem não teve um professor que o marcou positivamente? Quem não se lembra daquele professor que ensinou isto ou aquilo daquela maneira que ainda hoje usa? Quem não se lembra daquele professor inspirador ou motivante?
Sim, enquanto pais, por vezes damos por nós a não concordar com o professor, apetece-nos dizer-lhe que não temos tempo para tudo ou que não queremos aquela regra para o nosso filho, mas quando isso acontece, ou acontecer, sugiro que respire fundo, se lembre e contabilize o número de horas que aquele professor está com o seu filho e pense bem se essa discórdia pode pôr em causa todo o resto do trabalho, a relação professor-aluno e, se realmente acha que precisa de frisar uma posição, faça-o sim, mas através dos meios próprios e não em frente ao seu filho e dê-lhe o benefício da dúvida, tal como você, ele está a fazer o seu trabalho o melhor possível.

- Valorizar, apoiar e motivar o crescimento dos nossos filhos

É certo que não temos nem devemos ser explicadores dos nossos filhos, nem temos que entender o que eles aprendem, mas podemos estar disponíveis para ouvir atentamente o que nos explicam, podemos mostrar interesse no seu dia-a-dia, podemos valorizar todas as pequenas e grandes vitórias, estimular o cumprimento de horários, responsabilizar e promover as suas rotinas, fazer perguntas querendo ouvir as respostas.
Não precisamos de ter muitos meios ou muita disponibilidade, mas se usar-mos o que temos para mostrar que estamos ali, que queremos que cresçam mais e melhores e proporcionar-nos as oportunidades para decidirem o seu rumo, então estaremos a contribuir para que cresçam felizes e realizados, logo estaremos a contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada.

- Aprender, crescer e mudar o que for necessário em nós próprios

Porque cada um de nós faz parte deste mundo onde vivemos, porque vivemos em sociedade, porque todas as nossas ações têm consequências e porque, em ultima instância, estamos sempre a dar um exemplo a alguém, devemos procurar ser honestos e coerentes connosco próprios, se nos preocuparmos mais com o que pensamos de nós e menos com o que os outros vão pensar, se procurarmos ser, nas nossas atitudes e opções diárias, fiéis aquilo que defendemos então seremos plenos e seremos também capazes de reconhecer os nossos limites, as nossas imperfeições e mudar, porque mudar é crescer e mudar para melhor é evoluir...

Um bom ano para todos!

“...Muda, que quando a gente muda
o mundo muda com a gente
a gente muda o mundo
na mudança da mente
e quando a mente muda
a gente anda pr'a frente...”

Gabriel o Pensador


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

As férias por aqui...


Olá amigos:

Já há algum tempo que a Lura não conta novidades, não é que elas não existam, que não haja nada para contar, simplesmente nem sempre estamos particularmente inspirados.

Caso não tenham ainda reparado somos seres humanos, e quem nos lê também, certo?

Isso faz com que nem sempre seja fácil apresentar a “cara lavada e o sorriso nº 33” às vezes, mesmo quando somos felizes, a vida resolve pregar umas partidas e tornar o sorriso mais difícil, e confesso, nessas fases não apetece escrever...

Mas nem por isso parámos, e, mais uma vez, isso serviu para constatar o quanto nos faz bem fazer o que gostamos. Estas férias escolares tivemos visitas muito especiais, visitas que alimentam o coração, a alma e nos enchem de energia para fazer mais e melhor...

Com o Tito e o Garoto como terapeutas estas foram umas férias inclusivas na Lura, recebemos a Associação de Proteção às Raparigas, que veio passar uma manhã diferente, receber e dar colo com os nossos animais, aprender mais sobre agricultura biológica, descobrir um pouco da arte de bem cozinhar e comer em comunidade, conhecer as bases da dieta mediterrânica e partilhar bons momentos em natureza.

Esta foi uma visita surpreendente, para ambas as partes.

Para nós, foi bom conhecer um pouco melhor esta associação e o seu trabalho. Receber estas raparigas, compreender um pouco das suas dinâmicas de grupo, olhar no olhar de cada uma e compreender a complexidade de cada mundo, de cada ser humano, de cada sorriso (escondido ou rasgado). Foi uma experiência incrível e que nos mostrou mais uma vez a maravilhosa capacidade de empatia e dádiva do Tito e do Garoto. Mais que qualquer um de nós (acompanhantes humanos) os nossos burros reconhecerem em cada uma destas raparigas as suas realidades emocionais tendo, com cada uma, uma interação particular e diferente, mostrando-nos quem precisa de apoio, carinho, espaço, etc.

Além de uma visita pedagógica esta foi uma visita terapêutica que gostaríamos muito de voltar a repetir. Querem “raparigas”?

Mas não terminou por aqui, entre o Natal e o Ano Novo, recebemos também um grupo da APATRIS21, e se a visita anterior tinha sido terapêutica, esta foi um lavar da alma!
Eram 5 participantes, todos com características distintas e diferentes graus de autonomia, o que tornou a visita muito personalizada. Tirando o maior partido possível do contacto com a natureza e os animais, tivemos todo o tipo de momentos: prazer, descoberta, medo, birra, curiosidade, descontração, alegria...

Em apenas 3 horas de visita fizemos tanta coisa: demos comida aos coelhos e galinhas, pegámos num coelho ao colo ou apenas sentimos o seu pelo, visitámos a horta e apanhámos alguns hortícolas para oferecer aos Burros, observámos os Burros para descobrir o que mais gostam de comer, interagimos com os burros individualmente e em grupo, brincámos com o Fiel e com o Zico, até descascámos e provámos tangerinas acabadas de colher!

Foi uma manhã muito bem passada para todos os intervenientes! Certamente, também uma experiência a repetir...

Para que possam ter uma ideia, partilhamos algumas fotografias destas duas visitas no nosso facebook.

Na Lura estas foram umas férias calmas e inspiradoras, fizemos o que mais gostamos, partilhámos o nosso amor a carinho pela natureza, o respeito que temos por todos os seres e assim começamos o ano cheios de boas energias, novas ideias, novos projetos e muita vontade de fazer mais e melhor...

Um Bom Ano para todos!

Temos orgulho no que fazemos e fazemo-lo com gosto.
Por isso somos felizes e isso transmite-se a cada um dos nossos visitantes.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Uma parceria deste verão, com pernas para correr...


Olá a todos!

Como devem ter reparado, pelo menos os seguidores do nosso facebook, este foi um verão cheio de atividades aqui na Lura, recebemos muitos meninos, com diferentes centros de estudo, juntas de freguesia, grupos de escoteiros, associações desportivas, etc.
Foram visitas individualmente planificadas e organizadas, todas diferentes, com a educação e consciencialização ambiental em comum, mas atividades personalizadas em função do número de participantes, da duração da visita, do tema fornecido e mesmo das necessidades de cada grupo.

Deu trabalho? Sim!

Deu gozo? MUITO!

É ótimo quando acabamos uma visita e vemos que o grupo não se quer ir embora, ou quando na “rodinha” final percebemos que todos levam uma nova aprendizagem de sustentabilidade ou respeito pela natureza para casa, ou quando nos perguntam “quando é a próxima visita?”, ou mesmo quando sentimos que cresceram um bocadinho com a ajuda dos nossos animais...

E na reta final deste verão quero falar-vos de uma nova parceria que foi exatamente isso - uma parceria! Com partilha e entrega de ambas as partes em prol de um objetivo comum, proporcionar a melhor tarde e noite possível ao grupo de participantes.

Foi a parceria com o Ginásio Clube Naval de Faro!

Este ano, pela primeira vez, o G.C. Naval resolveu entrar no desafio de organizar, a solo, Férias Náuticas para a petizada e para isso estipulou vários objetivos entre os quais destaco, a formação para a segurança no mar e nas atividades aquáticas, a prática desportiva e a consciencialização ambiental e para a sustentabilidade.
E é na base deste último que nos contacta para o desenvolvimento de uma parceria, para a organização de visitas periódicas durante as férias. Assim surgem as visitas com acantonamento quinzenais!

Foi um experiência, intensa e incrível!

É verdade que com as atividades organizadas semanalmente e com a possibilidade de inscrição em semanas avulso, os participantes não eram sempre os mesmos e mesmo o número de participantes variou muito, mas com alguma ginástica de coordenação entre ambos os organizadores (nós e o clube) as visitas foram organizadas e planificadas uma a uma e em todas tivemos atividades diferentes, umas mais simples outras mais complexas com resultados maravilhosos, quer se olharmos para o resultado prático final, quer no impacto que a sua realização teve para o desenvolvimento do gosto e respeito pela natureza.

Estes meninos foram especiais!

Talvez porque muitos vieram mais que uma vez, mas certamente por todo o trabalho, empenho e dedicação do seu treinador, João Arco, que mantendo sempre o foco na segurança e bem estar das crianças, nunca deixou de brincar, de garantir o cumprimento das regras, de promover a autonomia e desenvolvimento pessoal de cada um, sempre com o foco nos objetivos definidos em equipa e com a direção aquando da preparação deste desafio. Este Professor, juntamente com toda uma grande equipa que tornou tudo possível, dedicou-se literalmente de alma e coração e todas estas crianças, respeitando as especificidades e conhecendo cada um, mas sempre garantindo a união do grupo e o bom funcionamento de todas as atividades, e isso refletiu-se na realização de todas as nossas visitas.

E os acantonamentos, os acantonamentos foram uma aposta ganha!

Não imaginam o que estes meninos e meninas crescem, aprendem e se divertem quando participam em atividades tão simples, como fazer o jantar, conversar à mesa, ajudar a levantar a mesa e a lavar a loiça, ver a estrelas, partilhar segredos, assumir os medos, dar um mergulho noturno, participar no matinal maneio dos animais, comer um pequeno almoço com doce caseiro, etc.
Estes acantonamentos permitiram uma partilha, cumplicidade e respeito entre os participantes que estou certa que serão sérias bases para um desenvolvimento pessoal e emocional mais saudável, responsável e consciente.

Falando um pouco mais das atividades, estas crianças fizeram: um bolo de alfarroba em forno solar; um jardim de suculentas; participaram na apanha de alfarrobas; jogos tradicionais; pintura de mandalas; tudo isto sempre incluindo muita brincadeira na piscina e interação com os nossos animais.

Foi um verão tão rico, que daria para escrever um livro só com o que pudemos observar, sentir e partilhar com estas crianças em todas estas visitas, mas como sei que nem todos terão tempo, disponibilidade ou vontade de o ler (e eu, sinceramente, também não tenho tempo para o escrever 😉), irei apenas deixar-vos algumas fotos, mas não sem antes vos falar um pouco da última visita e acantonamento.

A última foi um culminar lindo, até a natureza sorriu para nós!

Na ultima visita tivemos muitos participantes, e exatamente por ser a última e não querermos sobrecarregá-los com tarefas e atividades mais pedagógicas, decidimos avançar com jogos tradicionais. Foi uma animação! Intercalados com a brincadeira na piscina (porque estava mesmo muito calor), foi uma tarde em cheio para a petizada, e para nossa surpresa, que até chegámos a pensar que poderiam já estar fartos das visitas aos nossos animais, todos as queriam e perguntavam “quando vamos ver os coelhinhos?” “e fazer festinhas aos Burros?” “e o Fiel, quando vem ter connosco?”.

Pois é, estes meninos e meninas já tinham desenvolvido uma relação de proximidade e afeto com os nossos animais, já conheciam a rotina, sabiam onde podem e onde não podem mexer, sabem que os nossos burros são “Doutores”, que são pai e filho e que o Tito gosta muito de festinhas nas orelhas, ajudaram a tratar uma coelha doente e ficaram tristes por saber que não resistiu ao calor (sim, deram pelo sua falta e perguntaram logo o que se tinha passado). Foi mágico ver esta cumplicidade criada com os animais em tão pouco tempo e perceber o impacto que teve nestas crianças, que assim respeitarão muito mais o seu planeta, como lugar comum e natural que é necessário preservar.

E a “cereja no topo do bolo”?

O amigo camaleão resolveu mostrar-se veio passear à beira da piscina, para que todos o pudessem ver!

Depois veio o jantar, a loucura do mergulho noturno e mais uma noite descansada, que isto da vela (de manhã) e do campo (à tarde), cansa o corpinho de todos. No dia seguinte, tal era o entusiasmo que quase todos acordaram a tempo de dar comida aos animais e quando chegámos ao momento do pequeno almoço, houve vários olhinhos que perguntaram cheios de entusiasmo, “vai haver doce de figo e pera outra vez?” - e sim, havia!
Já agora informação para os pais: não vale a pena procurar no super mercado para comprar, este é único e feito por nós (porque as nossas peras e os nosso figos ficam maduros ao mesmo tempo, e nós gostamos muito da combinação 😋 ).

E mais não digo, ficam algumas fotos e a promessa de que para o ano haverá mais!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Portugal está a arder e é preciso falar sobre isso...


Até aqui estamos todos de acordo:

Estamos aterrados com o que vemos nas notícias, quem está mais perto, trava lutas inimagináveis, mas eu recuso o discurso do apontar o dedo, recuso a condenação rápida e imediata, assim como recuso o sensacionalismo e a elevação de heróis no meio da catástrofe.

Acredito na formação, na prevenção e na consciencialização para um respeito real pela natureza, pela vida e pelo planeta.

Amar e respeitar não é um conceito abstrato, é até bastante simples.

Infelizmente nestas situações, vende mais o sensacionalismo, e, em vez de termos debates sobre o que fazer para evitar outras situações como estas, sobre que medidas políticas reais se devem adotar para que exista uma verdadeira atitude preventiva, quer ao nível do poder local, quer ao nível da consciencialização de todos os cidadãos, em vez de se discutir ordenamento do território, limpeza de matos e vigilância ativa... Infelizmente, em vez disso, temos horas de televisão, e inúmeros posts de facebook, com imagens de destruição, de caos, temos bombeiros ocupados a responder às mesmas perguntas mais que uma vez, temos cidadãos em sofrimento a serem filmados, para que a dor possa ser exibida em horário nobre...

Desculpem mas não concordo com isto!

Assim, gostaria de deixar uma mensagem de esperança e respeito.

Respeito por todas as vítimas, que somos todos nós, os que estão efetivamente no local e são vítimas diretas e todos os habitantes deste planeta que perdem assim mais uma porção do “verde” tão importante para a sua sobrevivência.

Esperança, porque quero acreditar, que vamos abrir os olhos, reconhecer o mal que temos feito, o que andamos a negligenciar e, de uma vez por todas, valorizar o que é realmente importante, a vida!

Vamos lá olhar à nossa volta e começar pensar no nosso dia a dia, nas nossas atitudes.
Vamos pensar o que podemos mudar, de certeza que cada um de nós pode mudar algo, pode fazer algo, podemos plantar uma árvore, ter uma conduta mais ecológica, fazer voluntariado e ajudar a limpar matos e praias, poluir menos, usar o nosso voto e os canais políticos disponíveis para exigir e utilização de verbas na vigilância florestal, na prevenção, no financiamento dos meios necessários para o combate aos incêndios, na dignificação e justa de remuneração de profissões de risco...

Há tanto que podemos fazer, façamos!

E posto isto, recuso-me a terminar com uma imagem de terror, vou antes partilhar uma imagem nossa que mostra como Portugal e o mundo pode ser verde e lindo!



Se pode ser assim, tão bonito, porque não fazemos tudo o que está ao nosso alcance para o conseguir?!?!?